A Valorização Profissional e o CREA



Visitamos a sede do CREA/GO para conversar com o presidente Francisco Almeida sobre a profissão do engenheiro civil. O tema principal foi a valorização profissional.


Representando o CNE CONCURSOS, o engenheiro Guilherme Bruno tomou a iniciativa porque acredita que devemos olhar com mais cuidado para a profissão, visto que o modelo de ensino superior (graduação) não prepara por completo o engenheiro para o mercado e tivemos uma queda na oferta de oportunidades nos últimos anos. Muitos recém formados concluíram a faculdade sem terem ao menos uma experiência de estágio profissional.


O presidente do CREA reforçou a ideia acrescentando:

Vejo que temos um problema muito sério na formação do nosso profissional e ele não vai enfrentar o mercado. (...) Se tiver um crescimento de 5%, não terá profissionais suficientes para ocupar esses cargos - refiro-me a profissionais e não a pessoas que formam, são coisas diferentes.

Na entrevista, o tema ética profissional ganhou destaque e foi relacionado com a valorização profissional. O presidente do CREA/GO disse:


O que está faltando no Brasil hoje é ética e, no exercício da profissão, é muito mais importante. Está faltando ética entre os profissionais, principalmente no acobertamento. A pessoa não comparece, não vai à obra, mas assina que foi. Isso denigre a profissão, ninguém valoriza.
Se o CREA não fiscalizar no interior, ninguém contrata engenheiro.

Adicionando, o engenheiro Guilherme mencionou que quanto menor for a qualidade de formação do engenheiro, infelizmente, tenderemos a ver mais condutas antiéticas. O que levará à maior desvalorização profissional.


Foi posto em pauta a importância da união entre engenheiros para o exercício de ações coletivas, tais como na defesa de diretrizes na formulação de planos diretores, na defesa de interesses na aprovação de leis federais e etc.. Os profissionais deveriam entender que ocupam uma função na sociedade e esta percebendo a importância daqueles levará à maior valorização profissional. O presidente do CREA/GO, Francisco Almeida, citou que gasta com fiscalização valores bem maiores do que o conselho de medicina, por exemplo. Segundo ele, acredita que a sociedade ainda não está apta para entender a importância do engenheiro e contrata obras com profissionais não licenciados, por outro lado, em geral, a sociedade enxerga a importância do médico e naturalmente evita consultar com leigos (não licenciados). Para Francisco Almeida, seria um sonho se a sociedade contratasse com engenheiros com a mesma naturalidade.


Veja uma transcrição adaptada da fala do presidente:

Nós precisamos interagir mais com a sociedade, ser mais políticos. Precisamos discutir mais os problemas da cidade, o plano diretor, desenvolvimento sustentável. Sem nós não tem um plano diretor decente. Precisamos fazer com que a nossa participação seja mais ouvida perante aos gestores e à sociedade.

O engenheiro Guilherme também questiona a visão do Francisco Almeida quanto às críticas dos profissionais em relação ao CREA. Pergunta se ele enxerga como críticas injustas em muitos casos. O presidente disse:

Eu não vejo que são injustas, acho que nós não sabemos nos comunicar como profissional. O conselho não é uma entidade de classe. O conselho é um órgão de fiscalização do exercício profissional que está aqui para valorizar o profissional. Muitos não conhecem a função e missão do CREA. Se tirar a fiscalização do CREA, ninguém vai contratar profissional. Principalmente no interior. A fiscalização hoje é toda georreferenciada e inteligente. Nestes últimos 5 anos, multamos 67 mil leigos, destes, 47 mil contrataram com profissionais para regularizar. Em analogia, eram 47mil profissionais.

O engenheiro Guilherme também questionou sobre as eleições que se aproximam. Reforçou a importância de votar, embora seja facultativo. O presidente Francisco Almeida disse que é importante consultar as propostas dos candidatos com responsabilidade. Segundo ele, muitos propõem a redução de anuidades e taxas, mas não cabe ao CREA tal atribuição. É conferido ao CONFEA o poder normativo para dispor sobre valores de anuidades e taxas, além disso é preciso anuência dos CREAs de todas as regiões do país, visto que há unicidade.


O presidente do CREA também foi questionado sobre o não cumprimento do piso profissional por entes do poder público. O exemplo utilizado foi de Prefeituras que publicam editais de concursos públicos com remunerações bastante inferiores ao piso previsto na lei federal 4950-A. No vídeo há maiores detalhes. Em geral, o presidente aponta obstáculos jurídicos que o CREA já enfrentou e cita que a legislação brasileira permite ao poder público a regulamentação da remuneração de seus servidores por lei específica. Por meio de um caso na Prefeitura de Goiânia, exemplificou o que é possível ser feito pelo CREA para valorizar mais o profissional que escolhe o setor público para atuar.


Assista ao vídeo para ver mais informações.




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