Origem e Formação do Solo

Os solos são materiais provenientes da decomposição de rochas por agentes físicos e químicos ao longo do tempo. Alguns autores chamam de desintegração da rocha, outros de intemperismo da rocha.


Veja as definições de solo dadas pelo DNIT:

De acordo com o glossário de termos técnicos, solo é o material existente na crosta terrestre proveniente da decomposição e/ou desagregação “in situ” das rochas pela ação do intemperismo, constituído de 3 fases (sólida, líquida e gasosa), de origem orgânica ou inorgânica. (DNIT, Glossário de Termos Técnicos)
No âmbito da engenharia rodoviária, considera-se solo todo tipo de material orgânico ou inorgânico, inconsolidado ou parcialmente cimentado, encontrado na superfície da terra. Em outras palavras, considera-se como solo qualquer material que possa ser escavado com pá, picareta, escavadeiras, etc., sem necessidade de explosivos. (DNIT, Manual de Pavimentação).

Como dito, a decomposição da rocha sofre influência de agentes físicos (mecânicos) e químicos. PINTO menciona exemplos:

Variações de temperatura provocam trincas, nas quais penetra a água, atacando quimicamente os minerais. O congelamento da água nas trincas, entre outros fatores, exerce elevadas tensões, do que decorre maior fragmentação dos blocos. A presença da fauna e flora promove o ataque químico, através de hidratação, hidrólise, oxidação, lixiviação, troca de cátions, carbonatação, etc. O conjunto desses processos, que são muito mais atuantes em climas quentes do que em climas frios, leva à formação dos solos que, em consequência, são misturas de partículas pequenas que se diferenciam pelo tamanho e pela composição química. (PINTO, Carlos de Souza. Curso Básico de Mecânica dos Solos)

Dessa maneira, os solos tenderão a ter a mesma composição mineralógica da rocha mãe. Mais tarde veremos que os solos podem ser transportados e uma das consequências disso é a formação de solos menos homogêneos perante os solos oriundos somente da desintegração da rocha mãe.

Algumas provas exploram conhecimentos sobre a composição mineral da rocha e seu produto depois da desintegração. Em geral, exploram os dados expostos no manual DNIT que seguem em forma de mapa mental.

Acerca dos minerais constituintes, vale destaque para os quartzos que são identificados macroscopicamente e são bastante resistentes ao intemperismo, levando a desintegração da rocha até solos arenosos. Referente aos minerais argílicos, há três grupos principais denominados caolinitas, montmorilonitas e ilitas. Caolinitas são mais estáveis na presença de água, porém os demais tornam-se muito expansivos, ou seja, são solos coesivos que na presença de água aumentam de volume podendo gerar danos à fundação ou pavimento.


CAPUTO afirma que “mineral é uma substância inorgânica e natural, com composição química e estrutura definidas”. As rochas podem ser constituídas de um ou diversos minerais, são classificadas como ígneas (ou magmáticas), sedimentares ou metamórficas. Resumidamente:


Rochas Ígneas: originam-se da solidificação do magma.

Rochas Sedimentares: originam-se da consolidação de sedimentos acumulados.

Rochas Metamórficas: originam-se da transformação (fisico-química) da rocha original.


Tomado os conceitos básicos sobre a formação das rochas, vale destacar que o arenito é uma rocha sedimentar composto por quartzo e outros minerais. Logo, a sua decomposição, assim como o quartzito, formam solos arenosos constituídos de quartzo.


Acerca do processo de formação do solo, é importante salientar que recebem a classificação de solos residuais, sedimentares e orgânicos. Há alguma variedade de nomenclaturas a depender da literatura adotada, veja:


Solos residuais (ou de alteração ou autóctones): são solos originados da decomposição in situ da rocha. Em outras palavras, a desintegração da rocha dá origem ao solo que permanece no mesmo local. Há uma passagem gradual entre a rocha e o solo, ou seja, pode haver horizontes de transição: rocha → rocha alterada → solo de alteração da rocha → solo residual.

Durante o processo de decomposição da rocha pode haver minerais mais resistentes de modo a preservar blocos isolados denominados matacões. São mais comuns em áreas de granitos, gnaisse e basalto.


A figura a seguir, retirada do Manual de Pavimentação do DNIT (2006), ilustra a passagem gradual da rocha sã até o solo residual.

Recebe, ainda, a subclassificação:

- Solo Residual Jovem (ou saprolítico): segundo Balbo, “trata-se do solo que, mesmo mantendo a estrutura de sua fábrica (veios, fissuras, xistosidades, etc), não apresenta consistência, sendo, portanto, facilmente desmontável”.


- Solo Residual Maduro (ou laterítico): segundo Balbo, “solo que, localizado imediatamente abaixo da superfície, é muito homogêneo e não guarda mais nenhuma estrutura da rocha matriz”.


Os solos residuais, bastante comuns no Brasil, originam-se da decomposição de basaltos e rochas cristalinas. São características de um perfil de solo residual acompanhar, em geral, a topografia do terreno; intemperismo variar com a profundidade e atuar da superfície para o interior do terreno; apresentar pontos com diferentes resistências, matacões, significativa variação textural e grãos angulosos.


Solos transportados (ou sedimentares ou alotóctones): solos que sofreram a ação de agentes transportadores. A textura desses solos podem variar a depender do agente transportador e da distância de transporte.


- Solos de Aluvião (aluvionares): foram transportados e arrastados pelas águas. Materiais mais finos tendem a ser transportados a maiores distâncias. São mais comuns em áreas de inundação. Segundo o DNIT, solos de aluvião são boas fontes de materiais de construção, porém péssimos materiais de fundação.

- Solos Coluviais (coluvionares): foram transportados pela ação da gravidade. São mais comuns em pé de elevações, encostas e etc. O DNIT menciona que são materiais inconsolidados, permeáveis e sujeitos a escorregamentos, tornando-se inapropriados na visão de engenharia rodoviária. Também são ditos como depósitos de tálus, porém CAPUTO firma entendimento que há diferença: coluvionares podem ter presença de finos e tálus são essencialmente granulares.

- Solos Eólicos: foram transportados pela ação do vento. Exemplos são as dunas costeiras, não são muito comuns no Brasil.

- Solos Glaciais: a ação transportadora advém das geleiras. Não existem no Brasil.


O DNIT exemplifica um perfil em locais com solos transportados. Note a ausência de passagem gradual de horizontes: ao mesmo tempo em que há argila, há, desordenadamente, cascalho e areia.


Solos orgânicos: solos de origem orgânica (animal ou vegetal)

OUTRAS DISPOSIÇÕES RELEVANTES:


Turfas são solos com grandes porcentagens de partículas fibrosas de material carbonoso ao lado de matéria orgânica, do estado coloidal.


O Massapê é um solo residual (laterítico) argiloso, de plasticidade, expansibilidade e contratilidade elevadas, encontrado, principalmente, na bacia do Recôncavo Baiano. Suas características decorrem da presença da montmorilonita. No Paraná, materiais semelhantes são designados sabão-de-caboclo.


Saibros são solos residuais areno-argilosos, podendo conter pedregulhos, proveniente de alteração de rochas graníticas ou gnáissicas.


Solos colapsíveis são solos que apresentam brusca redução de volume quando submetidos a acréscimos de umidade, sob a ação de carga externa. Dão origem a consideráveis recalques de fundação.


Solos expansivos são solos que, por sua composição mineralógica, aumentam de volume quando há o acréscimo do teor de umidade. Solos argilosos compostos de minerais argílicos do grupo montmorionitas e ilitas tendem a ser mais expansivos.


Solos compressíveis são solos que apresentam deformações elevadas quando solicitados por sobrecargas pouco significativas ou mesmo por efeito de carregamento devido ao seu peso próprio. (exemplo: argila mole)


Cascalhos são solos com grande porcentagem de pedregulho, podendo ter diferentes origens – fluvial, glacial e residual; o cascalho de origem fluvial é chamado comumente de seixo rolado.

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QUESTÕES

01. CESPE, DPF, 2002 – Tálus são solos transportados, tipicamente inconsolidados e sujeitos a instabilidade.

( ) CERTO ( ) ERRADO


02. FCC, TCE/PR, 2011 - Os solos, pela sua origem, podem ser classificados em dois grandes grupos: residual e transportado. Os solos residuais são aqueles originários da decomposição das rochas que se encontram no próprio local em que se formaram. Os transportados foram levados ao seu atual local por algum agente de transporte. Suas características são função do agente transportador. Nos solos residuais, as características da rocha mãe possuem grande influência na composição física do solo. Um exemplo de solo originário de rochas de basaltos é

(A) a terra roxa. (B) a areia quartzosa. (C) a areia quartzosa laterítica.

(D) a turfa. (E) o caulim.


03. CESPE, PC/PE, 2016 [ADAPTADA] - A decomposição de rocha por ações físicas e químicas produz solo com características de argila com alta plasticidade, caso a rocha seja constituída predominantemente por quartzo.


GABARITO

01. C 02.A 03.E




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